NOTA DE REPÚDIO À ASSEMBLEIA GERAL DO CFH DA UFSC

movimentocontraej

Mais uma vez, a incoerência e a mediocridade venceram. A Assembleia Geral do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizada no dia 13 de novembro, com 553 pessoas credenciadas, entre estudantes e professores, deliberou, por 329 votos a 160, por não autorizar a criação de empresas juniores no Centro. O voto majoritário foi: “O entendimento desta assembleia é de que as empresas juniores não são coerentes pedagogicamente com o papel da universidade pública. Portanto, a posição desta assembleia é de que não se credencie/autorize a criação de empresas juniores neste centro.”
 
Ao ler tal posicionamento, questiono: Qual seria então, o papel da Universidade Pública? O fomento ao empreendedorismo, à inovação e à inserção de novos profissionais no mercado de trabalho não se enquadram no perfil pedagógico de uma universidade?
 
A simples leitura deste tipo de notícia me deixa estarrecido. Primeiramente, devo relembrar que o objetivo principal de toda empresa junior é promover uma experiência de mercado única aos alunos da graduação, com a oferta de serviços de qualidade e a baixo custo no mercado. Assim, as EJs não só contribuem para a formação universitária de profissionais mais qualificados, como também exercem uma função social de suma importância à região onde atuam, impulsionando o desenvolvimento econômico e empresarial do país.
 
Neste sentido, ver certas vaidades e posicionamentos ideológicos serem utilizados para coibir e desincentivar ideias que só vem a incrementar na Extensão Universitária beira o absurdo. Importa lembrar que muito embora a existência de EJs em determinados Centros só geram benefícios mútuos a toda sociedade (principalmente ao mais pobre e excluído do mercado de trabalho), não há nenhuma obrigatoriedade que o estudante universitário participe ou tenha interesse neste tipo de projeto. Desta forma, é triste ver como uma mentalidade retrógada e autoritária tenta impedir que outros universitários planejem seu próprio futuro, pelo simples fato de haver divergência na forma de enxergar e integrar o ambiente estudantil. Tal ignorância e censura são o símbolo da mediocridade da Universidade brasileira, que hoje não possui qualquer relevância no cenário mundial graças a pensamentos similares ao do referido “voto majoritário”, que atualmente – e infelizmente – dominam nossa academia.
Foto da Assembleia
Destarte, é com grande veemência que o Bevilaqua – Escritório Modelo Empresarial repudia a decisão tomada pela a Assembleia Geral do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da UFSC, certo de que Santa Catarina deu mais um passo em direção ao fracasso. Para nós, não é difícil enxergar o quão prejudicial é tal decisão, pois, como estudantes de direito, sabemos do desafio que é implementar uma EJ dentro de um ambiente pautado pelo “medo” e “aversão” do mercado privado. Assim, vemos qualquer formar de inibir ou tolher a liberdade e o fomento ao empreendedorismo dentro da academia como uma das formas mais imorais e danosas de minar o desenvolvimento social de nosso país.
 
Por fim, prestamos solidariedade e apoio integral ao Movimento Pró-EJ na UFSC, na esperança de que seus participantes em momento algum duvidem de que sim, são na verdade eles que estão lutando pela coerência e desenvolvimento de uma Universidade Pública de qualidade.
 
Leonardo Cavalcanti é Diretor Institucional do Bevilaqua – Escritório Modelo Empresarial, Empresa Jr. do Curso de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Deixe uma resposta