Inovação Jurídica: uma resposta aos ‘cinco problemas que podem matar qualquer empreendimento’.

Bisnez
No último dia 6 fevereiro, o Escritório Bevilaqua publicou em sua página no Facebook, uma matéria do Jornal Estadão sobre os “Cinco problemas que podem matar qualquer Startup emergente”. A proposta da entrevista foi justamente listar, a partir do ponto de vista de especialistas no ramo, os cinco problemas que mais atrapalham o emergente empreendedor no contexto brasileiro. No intuito de indicar uma breve resolução de tais problemas, com o enfoque jurídico que é comum ao Escritório, a Bisnez Escola de Negócios, nossa parceira institucional, elaborou um breve artigo que se ocupa justamente dos procedimentos e da nova visão empreendedora que o profissional do direito precisa inserir em seu modus operandi e sem sua visão de mercado em geral.

“Empreendedorismo, no Brasil, ainda continua sem uma definição própria, sem uma identidade. Pode ser o simples ato de abrir uma empresa, criar um novo negócio ou apenas trabalhar para ganhar mais dinheiro. Sabe-se, de fato, que empreender é bem mais amplo que isso.Por outro lado, o conceito de startup ainda é vago. Por aqui, startup é um negócio inovador associado, muitas vezes, à tecnologia. Em algumas literaturas é uma empresa iniciante. Segundo Eric Ries, no livro A Startup Enxuta, startup é “uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza”. Em um conceito mais amplo, seria uma promessa de um negócio inovador, seja em seus produtos ou em seus processos, para atender às exigências de um mercado cada vez mais dinâmico.

O processo de inovação busca fazer algo novo, mais rápido, mais barato ou melhor. Não está ligado simplesmente a criar produtos inovadores ou revolucionários, nem, muito menos, remete apenas à tecnologia. Consiste em idealizar a solução de um problema, ou um conjunto deles. Como é uma promessa, ainda não existe de fato. Daí surgem as questões: Como ser bem sucedido em uma startup em um ambiente como o Brasil? É possível criar startup em todas as áreas, como Direito, por exemplo?

Recentemente, o Estadão publicou no site uma matéria intitulada “Cinco problemas que podem matar qualquer startup emergente (por melhor que seja sua ideia)”. O texto fala, basicamente, das dificuldades de se ter uma startup no Brasil, afetando milhares de empreendedores em diversas áreas. O texto é pequeno, não entra em detalhes, mas resume alguns pontos que serão discutidos abaixo (não necessariamente nesta ordem):

 

l  Cultura empreendedora

Quando se pergunta a qualquer pessoa sobre qual o seu objetivo profissional, não é surpresa se a resposta for ocupar algum cargo de concurso público. No Brasil, ser empreendedor é a exceção. A área que isso mais ocorre é em Direito. É um setor muito regulado para se iniciar um negócio e trabalhar de forma inovadora. Se torna menos atraente ainda quando se pesa os riscos de um empreendimento com os salários pagos pelo setor público. Porém, há diversos casos de empreendedores de sucesso em advocacia. Estes são os que perceberam que um escritório não é apenas um lugar para se receber clientes e correspondência, mas, em sentido amplo, é um potencial negócio de sucesso. Basta se ter as técnicas e ferramentas que torne possível um bom planejamento, a organização, a direção e o controle das pessoas e dos recursos.

 

l  Dificuldade em lidar com outras áreas

Raramente se vê algum advogado se especializando em administração de pequenos negócios, mesmo que ele seja dono de escritório. Ter conhecimento do assunto, ou contratar alguém que tenha, é fator sine qua non para a eficácia no processo de desenvolvimento de um negócio. Instituições de ensino superior, Sebrae e tantas outras entidades oferecem cursos para capacitação em administração, gestão de pequenos negócios, bem como cursos e oficinas para empreendedores.

 

l  Legislação trabalhista incompatível

Contratação de funcionários, em um empreendimento em fase de experimentação, implica em custos desnecessários, porém obrigatórios. Para driblar tal problema, muitos contratam como prestação de serviços. Aparentemente é uma boa ideia, porém não gera o comprometimento que um funcionário efetivo teria. Sociedade é uma boa alternativa para sanar este problema.

 

l  Encontrar sócios que se complementem

Integrando um verdadeiro ciclo de dificuldades, achar um sócio que congregue de ideias e objetivos semelhantes, além de ter conhecimento, ser comprometido e confiável, e que ainda tenha espírito empreendedor, não é fácil de se encontrar. Além de tudo, o brasileiro, de um modo geral, não aceita muito bem uma sociedade, ora por não confiar em outras pessoas, ora por querer ter o controle das decisões do negócio. Quando se fala em sociedade, se fala também em compartilhar as responsabilidades, somar forças, para dividir maiores benefícios. A sabedoria popular responde muito bem quando diz que “é melhor repartir um filé do que roer osso sozinho”.

 

l  Fechar uma empresa

O nosso sistema público extremamente burocrático impede a livre atuação de startups. Normalmente se iniciam na informalidade, para experimentação, porém sem nenhuma possibilidade de captação de capital de terceiros. Abrir uma empresa é muito burocrático e oneroso, mas é interessante quando se tem um nível de incerteza minimizado. Para uma startup é, muitas vezes, inviável, pois a intenção é experimentar um negócio, correndo grandes (e necessários) riscos de falha. Caso a empresa venha a se desfazer, muitos custos cairão nas costas do empreendedor. O fechamento de uma empresa é tão trabalhoso quanto a abertura. Alternativas legais seriam, em alguns casos, trabalhar como Pessoa Física ou abrir empresa offshore. Mas tudo vai depender do setor de sua regulação.

 

É claro que estas são só as cinco principais. Muitas vezes fatores como mal-atendimento, produto (bem ou serviço) mal-definido, excesso de gastos, falta de planejamento, inadaptabilidade a mudanças, são determinantes para o fracasso de um negócio. O investimento em conhecimento, em pessoas, bem aplicado e planejado, maximiza as chances de sucesso empresarial e torna possíveis ganhos muito maiores que em qualquer emprego, público ou privado”.

Por Daniel Sales, CCO da Bisnez Escola de Negócios.

“CINCO PROBLEMAS QUE PODEM MATAR QUALQUER STARTUP EMERGENTE (POR MELHOR QUE SEJA SUA IDEIA)”: http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias%2ccinco-problemas-que-podem-matar-qualquer-startup-emergente-por-melhor-que-seja-sua-ideia%2c3817%2c0.htm

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