EMPRESA JÚNIOR: UM SALTO NA CARREIRA

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Participar de uma empresa júnior (empresa de consultoria formada por alunos de graduação e orientada por professores, com o objetivo de aprendizado) é com certeza uma experiência muito enriquecedora na carreira de qualquer profissional. Com um foco no aprendizado, a empresa júnior contribui em vários aspectos para o desenvolvimento técnico e de liderança de seus membros, uma vez que, atuam em situações de negociação com clientes, liderança de equipes, gestão de projetos internos e externos e na Administração de uma empresa ao mesmo tempo.

 

O movimento empresa júnior (MEJ) surgiu na França em 1967 e teve seu primeiro representante no Brasil em 1988, a empresa júnior da Fundação Getúlio Vargas. Atualmente o país possui mais de 1.200 empresas juniores¹, com mais de 27.000 alunos engajados e um projeto de regulamentação em tramitação no Senado, com o apoio da Brasil Júnior, que é a confederação nacional das empresas juniores.

 

Mas, efetivamente, qual o diferencial em participar de uma empresa júnior?

 

Para Ilanna Renata, consultora da Deloitte em Recife e ex diretora da FCAP Jr (Empresa Júnior de Administração da UPE), foi durante seu envolvimento na empresa júnior que ela aprendeu a se dedicar inteiramente ao que estava fazendo, a cumprir metas, a se organizar e a adotar uma postura mais formal e madura. “O que mais me marcou no MEJ (Movimento Empresa Júnior) foi o comprometimento e a paixão de todos ali. Trabalhar de graça e trabalhar muito. Trabalhávamos ate tarde todos os dias e nos fins de semana sempre tinham eventos, palestras, grupos de estudo… além do atendimento ao cliente, sempre tinha algo que estávamos nos dedicando à parte, como a organização de algum evento ou ate mesmo algum projeto interno da EJ (planejamento estratégico, algum grupo de melhoria de processo, etc)”, afirma Ilanna.

 

Uma característica da empresa júnior é a ausência de remuneração em seus projetos, já que o objetivo principal é o aprendizado, sendo cobrados apenas os custos de desenvolvimento do projeto.

 

Porque é válido se dedicar a uma empresa júnior sem receber remuneração?

 

A resposta é simples, um empresário júnior se capacita para o mercado e se torna mais “caro” no futuro, pois aprende com os próprios erros como Administrar uma empresa, Liderar uma equipe, Realizar cálculos financeiros, Elaborar Planos de Marketing e Pesquisas de Mercado, Desenvolver Programas de Qualidade, entre outros tantos projetos e ações que fazem parte do cotidiano de uma empresa. A partir do momento que jovens estudantes são testados num ambiente corporativo em que podem se permitir ao luxo de “errar” sem prejudicar sua carreira, os mesmos já chegam em suas futuras empresas com uma bagagem mais ampla, maior capacidade de discernimento e de tomada de decisão, principalmente, em comparação com quem não vivenciou esta experiência, tornando-se assim, diferenciados para o mercado.

 

E foi justamente este diferencial que contribuiu para Catarina Lira, Analista de Relacionamento na AMCHAM Recife (Câmara Americana de Comércio). Ela afirma: “tenho plena convicção que a carreira que venho trilhando desde a saída da FCAP Jr. foi moldada por eu ter feito parte da empresa. Até mesmo porque na empresa júnior você se vê diante de situações que, raramente, numa empresa de mercado, você vivenciaria e teria a oportunidade de interagir com ela. Isso faz com que você se desenvolva muito e deseje sempre dar o seu melhor para a empresa. Isso é tudo que um chefe deseja de um colaborador. Não só em questão de desenvolvimento, mas no aprendizado do conteúdo, organização, postura e relacionamento, impactam diretamente na velocidade em que as coisas vêm acontecendo”

 

Por serem os próprios alunos que administram a empresa, eles vivenciam na prática toda a teoria da sala de aula, desde o processo de abertura de uma empresa até a estruturação de todos os setores, passando por marketing, comercial, financeiro, recursos humanos, qualidade e produção. Esta experiência, além da vivência de prospectar clientes, desenvolver relacionamento com fornecedores (neste caso parceiros, como a própria faculdade, entidades de classe, outras empresas juniores, entre outros) e concluir projetos de consultoria, também desperta e influencia nos alunos o empreendedorismo, pois o empresário júnior tem a oportunidade de passar por todos os setores da empresa, e em poder de tomar decisões e assumir riscos por tais decisões.

 

A ex diretora da EJA Consultoria Júnior (Empresa Júnior de Administração da UFPB), Andressa Sullamyta, seguiu justamente este caminho. Assim que concluiu sua experiência em uma empresa júnior trilhou pelos caminhos do empreendedorismo, fundando sua própria consultoria em Gestão, a LíderUP. Ela acredita que “Não teria alcançado nem 50% do que possue hoje em termos de conhecimento e experiência com o manuseio de ferramentas e teorias da Administração, pois, na sala de aula somos apenas apresentados a uma ciência muito abstrata e idealizada que além de ter alto nível de complexidade, é extremamente influenciada pela cultura de outros países, o que dificulta ainda mais a aproximação com a nossa realidade.” Andressa também está ingressando no Mestrado em Administração e crê que Pontualidade, Responsabilidade, Visão Sistêmica, Empatia e Controle Emocional foram as características profissionais que mais desenvolveu durante seu período numa empresa júnior.

 

Já os empresários do ramo de Beleza e Estética Edson Cavalcanti e Alexandre Diniz, que foram diretor e analista da Consultoria Nova Roma Júnior (Empresa de Consultoria da Faculdade Nova Roma – FGV) respectivamente, fazem questão de exaltar seu aprendizado e vivência durante este período de empresários juniores. “O senso de responsabilidade e a importância que devemos dar a cada atividade em si foi meu maior aprendizado enquanto membro de empresa júnior, pois o resultado de qualidade é influenciado pelo trabalho de todos. Com toda certeza eu não teria sucesso em minha carreira profissional atual sem a experiência vivida na Nova Roma Jr. O despertar da capacidade de trabalho em equipe, o gerenciamento dos processos e estabelecimento de prazos trazidos para o dia a dia fazem toda a diferença.” Afirma Edson Cavalcanti.

 

Então, como ingressar numa empresa júnior?

Estudante de Empresa Júnior

O primeiro passo, é procurar saber na sua própria faculdade se há uma empresa júnior e quando será o próximo processo de seleção da mesma. Filipe Castro, atual trainee da Mondelez International e ex membro da ACE Consultoria (Empresa Júnior dos cursos de Administração, Contabilidade e Economia da UFPE) conheceu a empresa júnior já durante a faculdade. “Sempre tive o interesse de aproveitar as oportunidades que a universidade tivesse para me oferecer. Quando conheci a proposta e vi que aquilo me faria crescer e aprender bastante, resolvi ingressar na ACE Consultoria”. Afirma o trainee.

Participar do Movimento Empresa Júnior, o MEJ, também agrega muito à carreira no sentido de redes de relacionamento, pois propicia uma troca de experiência entre membros de outras empresas juniores, benchmarking constante e um amplo networking diário. Michaella Barreto não apenas foi Presidente de uma empresa júnior (NAPPES Consultoria Júnior, da UEPB), mas seguiu carreira no MEJ e chegou a ser diretora da Federação das Empresas Juniores da Paraíba – PB Júnior e Assessora na Brasil Júnior, o que lhe ampliou vários horizontes. Atualmente, Michaella é Gerente de Marketing de Relacionamento na AIESEC, uma instituição que organiza intercâmbios profissionais entre jovens estudantes. “Conheci o MEJ no primeiro evento que fui com minha empresa júnior, o sábado júnior, organizado pela PB Jr no ano de 2010. Antes disso, não tinha noção do que era o movimento em si, mesmo estando na EJ há alguns meses, a visão do que o movimento poderia me transformar só veio depois e justamente depois desse dia tive a vontade de continuar contribuindo cada vez mais para a rede, o que me levou a vários cargos e me proporcionou também muitas experiências. Entrei na empresa júnior com o primeiro objetivo de fazer alguma coisa de produtiva na universidade, mudar minha rotina principalmente. Depois da conquista, estar no MEJ se tornou uma paixão.” Explica Michaella.

 

Formar profissionais mais qualificados tecnicamente e preparados para liderar é a essência, e principal contribuição de uma empresa júnior. Além disto, outra grande contribuição é formar profissionais mais entusiasmados com sua profissão, com uma vivência em equipe e multidisciplinar, visão holística e conectados com os anseios da sociedade moderna. Ilanna Renata confirma esta contribuição. “Conheci o MEJ na faculdade, no dia da aula inaugural. Na FCAP a própria universidade disponibiliza um espaço na aula inaugural para explicar e incentivar o movimento. A EJ fazia trabalhos voluntários na faculdade também. Como sempre gostei disso, acabei me associando logo a EJ, mesmo antes de fazer parte do movimento. Participei/ajudei em alguns eventos socioambientais organizados pela faculdade em parceira com a empresa Junior.” Diz a Consultora da Deloitte.

 

O fato é que uma empresa júnior, (assim como um programa de Trainee ou de Estágio), não é a garantia de sucesso na carreira profissional de ninguém, mas com certeza pode contribuir bastante para ele. O sucesso é a combinação de preparação e oportunidade, e cada um deve buscar conciliar estes dois fatores. Segundo Davi Ernani, Gerente da Deloitte em Recife, “Apenas ingressar na empresa junior não muda ou transforma nenhum estudante em um profissional de sucesso. É necessário comprometimento, dedicação e esforço para vivenciar e extrair o que tem de melhor no MEJ, e assim, adquirir valiosos conhecimentos e experiências.” Entretanto, esta experiência na empresa júnior propicia ao profissional uma diferença em termos de prática, conforme lembra o próprio Davi: “O ex-empresário junior já gerenciou um negócio, já tomou decisões importantes, negociou, planejou, executou atividades que nenhum outro tipo de experiência no período acadêmico proporciona.” A Deloitte é referência não apenas em sua área de atuação (Auditoria e Consultoria), mas também em contratar talentos oriundos de empresa júnior. Atualmente, no escritório de Recife há 9 ex membros de empresa júnior em diversos níveis organizacionais e há uma parceria formal para troca de serviços entre a Deloitte e a FCAP Jr, o que incentiva o recrutamento destes ex empresários juniores.

 

Conclusão

 

Com certeza uma empresa júnior só tem a contribuir para a carreira profissional, seja para quem tem objetivos de ser empreendedor, seja para os que querem seguir carreira acadêmica, ou ainda para os que desejam se tornar executivos de sucesso. É importante salientar, que existem empresas júniores em vários cursos Brasil afora, não se restringindo apenas aos cursos de negócios. Hoje em dia no Brasil, existem EJs de vários setores, como por exemplo, empresas de engenharia, geologia, turismo e diversos outros cursos, ou seja, qualquer estudante de qualquer curso superior pode ingressar numa empresa júnior, basta ter o interesse a vontade de buscar seu ingresso na EJ.

Agora, é necessário lembrar que uma empresa júnior apenas ajudará na preparação profissional do estudante, cabendo a ele criar as oportunidades para alcançar o seu sucesso. E você, o que acha de participar de uma experiência enriquecedora e aumentar suas chances de sucesso na carreira profissional?

 

 

FONTE: http://www.portal-administracao.com/2014/03/empresa-junior-um-salto-na-carreira.html?m=1

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